Moda e Estilo

Como o corpo masculino ideal mudou ao longo da história

COMO O CORPO MASCULINO IDEAL MUDOU AO LONGO DA HISTÓRIA
Publicado por Tony Carvalho

Como determinamos o que torna um corpo de um homem bonito?

Embora possa parecer que os padrões de beleza que temos hoje devam ser historicamente universais, na verdade é o oposto.

O corpo masculino “perfeito” mudou muito ao longo da história.

Da próxima vez que você sentir-se mal com seu corpo, lembre-se de que “perfeição” é um ideal efêmero, fadado a mudar e transformar – parecendo incrivelmente diferente – às vezes até de forma oposta – de uma geração para a outra.

Quando você vê o quanto a ideia de um corpo masculino atraente mudou, você descobre que, assim como para as mulheres , o conceito de “corpo perfeito” é completamente arbitrário… e temporário.

Então vamos lá!

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Era Neolítica (12.000-8000 AC) – Um corpo grande

Por volta de 12.000 aC a 8.000 aC, a humanidade estava começando a mudar de uma sociedade de caçadores / coletores para uma vida baseada na agricultura.

Cultivar alimentos exatamente onde as pessoas moravam, em vez de perseguir  búfalos o dia todo, certamente tornou a vida um pouco mais fácil.

A agricultura trazia consigo a abundância de alimentos e permitia que aqueles com poder sobre a terra se alimentassem bem e assim, ganhassem peso. Portanto, é de se esperar que um homem maior, pesado e até gordo fosse considerado mais atraente do que um corpo magro.

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Grécia Antiga (800 AC-146 AC) – Um corpo inatingível

Os antigos gregos eram muito exigentes quanto a seus ideais de beleza e os capturaram em obras de arte que apreciamos até hoje.

O homem ideal era musculoso e magro. Na verdade, eles se pareciam muito com os caras gostosos das revistas que vemos hoje.

Embora houvesse proporções específicas para a beleza grega, elas não eram completamente realistas.

O ideal de corpo masculino para os gregos antigos nos traz homens com grupos de músculos que os homens mortais nunca podem alcançar: você poderia ir à academia todos os dias durante um ano e não adquiriria um cinto de Apolo como o das estátuas gregas antigas.

Um cinto de Apolo (às vezes chamado de cinto de Adônis) é aquele músculo abdominal em V que muitos caras tentam alcançar. Você encontrará uma grande variedade de exercícios modernos que tentam deixar os homens do século 21 na mesma forma que o ideal da Grécia antiga.

Mas…

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Idade Média (800-1000 DC) – Um corpo mediano

As pessoas que viviam antes do século 20 eram mais baixas e mais fracas do que somos hoje.

Mas, em um estudo liderado pelo professor Richard Steckel da Universidade Estadual de Ohio, demonstrou um perfil diferente sobre a altura e a saúde dos humanos por volta de 800 DC.

No início da Idade Média, os homens eram quase tão altos quanto os do século XXI.

Estudando milhares de esqueletos dos últimos 1.200 anos, ele descobriu que a Idade Média deu aos homens um verdadeiro “surto de crescimento”, que depois diminuiu em torno de cinco centímetros por volta dos anos 1700.

A razão pela qual a altura é tão importante para aprender sobre as pessoas da época é que é uma boa maneira de medir sua saúde. Em geral pessoas mais altas indicam uma população mais saudável.

O início da Idade Média o clima estava mais quente, então as colheitas eram provavelmente mais abundantes. Além disso, as pessoas ainda viviam em populações relativamente remotas. Não haviam centros urbanos movimentados na Idade Média, o que significava que havia menos probabilidade de doenças se espalharem.

À medida que as cidades surgiram e o clima esfriou ligeiramente, as doenças e a falta potencial de alimentos levaram ao declínio da saúde e do tamanho.

Mas então, como era o corpo masculino ideal na Idade Média?

Bem, a arte da Idade Média não nos ajuda muito a determinar a figura masculina ideal, uma vez que a arte era principalmente dedicada a cenas religiosas . Homens e mulheres eram vistos cobertos e certamente os dias de Adônis já haviam se passado. A arte retrata os homens de aparência saudável e mediana, nada mais.

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Renascença (1450-1600) – Um corpo em sincronia

Leonardo Da Vinci tornou muito fácil descobrir como seria o corpo de um homem perfeito na época do Renascimento.

Com seu desenho do Homem Vitruviano , ele mostra exatamente como o corpo perfeito deve ser.

Não se trata apenas de magro x gordo ou magro x musculoso, mas de encontrar um corpo com proporções perfeitas. Além disso, o círculo e o quadrado que cercam o homem não estão lá apenas para decoração. Eles tinham um significado profundo.

De acordo com Toby Lester, autor de Da Vinci’s Ghost , “O círculo, desde os tempos antigos conotava coisas divinas e cósmicas.

É a forma perfeita,  todos os seus pontos em sua circunferência são equidistantes do centro, e era a forma que governava todos os supostos medos concêntricos que compunham o cosmos.

E então você tem o elemento humano das coisas, o quadrado, que nos traz para as coisas para a Terra.

O homem Vitruviano não era apenas um ideal de corpo masculino, mas a visão da conexão absoluta entre o céu e a Terra.

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The Macaronis (1700) – Um corpo efeminado

Precursores do almofadinha, os Macaronis eram originalmente jovens britânicos que viajaram para o exterior, apaixonaram-se pela comida italiana “maccaroni” e pelo estilo europeu de vestir.

De acordo com a historiadora Geri Walton , os homens costumavam pedir maccaroni para mostrar que visitaram a Itália recentemente e acabaram recebendo o apelido de “macaronis”.

No livro Easy Phraseology de 1775, Joseph Baretti escreveu “Estranho, que esta palavra mudou tanto de significado ao vir da Itália para a Inglaterra: que na Itália deveria significar um cabeça dura, um tolo; e significa na Inglaterra um homem gosta de roupas pomposas e afetadas!

Esses homens usavam roupas elegantes e ligeiramente femininas. Eram figuras esguias, com roupas que se agarravam nos seus corpos.

Eventualmente, o estilo “Macaronis” se tornou mais radical com perucas enormes, rostos pesadamente maquiados e acessórios tão ornamentados que por volta de 1775 as pessoas começaram a descrever o visual como “efeminado”.

A Oxford Magazine da época dizia: ” (…) cavalheiros que, desesperados por serem considerados homens, têm a ambição de se parecerem com mulheres. ”

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A Era Dourada (final de 1800 e início de 1900) – A era dos gordinhos

Se você é um grande fã do “corpo de homem casado”, então a Era Dourada teria sido sua era favorita para conviver com homens de corpos perfeitos.

Em um retorno ao Neolítico, em que gordurinhas a mais significavam status, na Era Dourada, um homem gordinho transmitia a imagem de riqueza, poder e masculinidade.

Isso porque se o homem tinha muito dinheiro além de não precisar fazer trabalho pesado, comia muito bem.

Uma barriga masculina sobressalente era considerada muito atraente.

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Hollywood (anos 1920) – Um corpo esguio

Conforme os filmes de Hollywood se tornaram imensamente populares, eles moldaram quase que automaticamente a forma ideal de beleza para homens e mulheres.

É uma velha história de que as mulheres sempre foram pressionadas a serem magras por Hollywood , mas a mesma coisa aconteceu com os homens.

Os atores pareciam cerca de 10 quilos mais pesadas no filme, então os diretores preferiam sempre atores com uma estrutura mais esguia para compensar esta distorção.

Agora que a indústria havia se mudado da frequentemente congelada costa leste dos Estados Unidos para a sempre ensolarada Califórnia, as pessoas podiam exibir mais seus corpos o ano todo.

Além disso, os filmes daquela época mostravam atores montando cavalos, lutando e fazendo várias acrobacias fisicamente intensas, então os homens tinham que estar em forma para fazer seu trabalho.

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Charles Atlas (1930-1940) – O surgimento o corpo fitness

Os homens começaram a emagrecer por causa de Hollywood, mas Charles Atlas os reconstruiu, pelo menos no que se refere à musculatura. Atlas foi o primeiro guru do fitness e trabalhou duro para isso.

Charles Atlas é o responsável pelo surgimento do termo “Tensão Dinâmica” (uma forma de exercícios  isométricos) e eventualmente se tornou um ícone da nova era fitness. Durante os tempos difíceis das décadas de 1930 e 40, as pessoas foram inspiradas pela história de Atlas.

A solução de Charles Atlas para a Depressão e a Segunda Guerra Mundial era a de que se você fosse maior que os outros, ninguém lhe seria páreo.

Essa ideia de que o tamanho físico pode lhe dar confiança e poder foi uma mensagem poderosa.

Isso deu início ao primeiro movimento de condicionamento físico real, tendência que os homens seguem até hoje.

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O visual executivo (anos 1950 – início dos anos 1960) – O homem imponente

A guerra e a depressão acabaram, os homens estavam um pouco menos preocupados em parecer fortes, mas queriam ainda parecer grandes.

Chegou a era do look executivo, em que os homens pretendiam posar como figuras grandes e imponentes como parte do corpo perfeito. Jaquetas e sobretudos tinham ombros largos e um caimento muito mais folgado do que vemos nos dias de hoje.

Havia alguma ênfase em uma cintura fina, mas o maior trunfo eram os ombros largos em uma construção alta.

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Década de 1960 – Magreza e pelos no peito

Os anos 60 sacudiram um pouco do ar formal da década anterior e os homens suaves e elegantes se tornaram desejo da moda.

O visual se tornou limpo e as roupas voltaram a se ajustar ao corpo.

O  homem no mundo corporativo manteve o estilo restrito, enquanto as estrelas do rock e homens mais jovens começaram a seguir um caminho mais boêmio.

Os homens começaram a ter mais opções de roupas além do preto e cinza escuro.

O corpo masculino perfeito da época é exemplificado por Sean Connery, o primeiro 007.

Ele era magro, mas não tinha muita definição muscular… e tinha muitos pelos no peito.

Michael Caine era considerado um protagonista bonito, especialmente depois de seu papel em Alfie, mas seu visual sem camisa era bastante inexpressivo para os padrões de hoje.

Os homens ainda deveriam ter ombros largos e barriga lisa, mas brações e barriga tanquinho definitivamente não eram necessários.

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Final dos anos 1960 e início dos anos 1970 – A era da androgenia

Pela primeira vez desde a era dos Macaronis, um visual menos rude e masculino voltou à moda como o corpo masculino perfeito.

A androginia foi muito importante para David Bowie e até para Mick Jagger, como bem sabemos.

Um look fino e esguio se tornou popular entre os seguidores desse visual. Embora as roupas unissex tenham se tornado populares, elas realmente não afetaram os papéis de gênero ou diminuíram a importância de se ter um corpo perfeito.

Parte do apelo da moda unissex adulta era justamente o contraste sexy entre quem a usava e as roupas, um corpo masculino ou um feminino.

Apesar de que nem todos os homens gostavam dessa ideia da flexão de gênero, as roupas masculinas se tornaram mais justas, então um físico razoavelmente tonificado se tornou necessário, já que um homem não poderia esconder uma barriga de cerveja com aquelas calças de cintura alta e macacões apertados.

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Década de 1980 – A década da dicotomia

Os corpos perfeitos dos homens seguiram duas direções completamente diferentes nos anos 80.

Um caminho tinha os homens de corpos como os heróis de ação Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger.

Os filmes de ação da época e o “retorno aos valores” da era Reagan definiam perfeitamente o ideal masculino dos anos 80.

A era Reagan trouxe uma nova onda de masculinidade elevada, em que ir à academia e ter corpão tornava você mais homem.

Do outro lado do espectro estava a ascensão do glam metal.

Em seu livro Look What the Cat Dragged In , Anna Kurennaya definiu bem esse estilo:

O gênero do glam metal, marcado visualmente por cabelos volumosos e vestidos escuros, e liricamente por uma luxúria voraz pelo sexo oposto, constitui um local de transgressão complexa que muda nossas noções construídas coletivamente de gênero, sexualidade e autenticidade.

Embora canções como “Talk Dirty to Me” e “Unskinny Bop” possam não parecer realmente desafiar os papéis de gênero, o fato de essas bandas hiper-masculinas que se vestiam de uma forma muito feminina foi uma ideia completamente nova que define bem a dicotomia da aparência masculina dos anos 80.

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Cada vez mais musculoso (1990 até hoje)

Com seu início nos anos 80, a ideia de um homem ideal malhado e musculoso só se fortaleceu até os dias de hoje.

Você pode ver isso na linha do tempo dos filmes de super-heróis.

Compare Christopher Reeve no filme Superman IV de 1987 com Henry Cavill. Ambos interpretaram Superman (Reeve de 1978-1987 e Cavill em 2013-2016) e embora ambos estejam em excelente forma, Cavill faz Reeve parecer um menino raquítico.

Agora, qualquer um que interpreta um “cara gostoso” no cinema tem que ser necessariamente musculoso. Apenas ser magro ou atlético não basta.

É claro que esse novo corpo ideal que já era algo com que as mulheres tinham que lidar  há décadas, também traz problemas graves aos homens que sofrem a pressão diária da mídia para ter corpos inatingíveis.

E nós homens podemos com certeza culpar o Superman.

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Afinal o que realmente é um corpo masculino perfeito?

Felizmente, estamos entrando em uma era em que a mídia está começando a celebrar a diversidade de raça e corpo – embora ainda haja um longo caminho a percorrer.

Antes da Semana da Moda de Nova York  de 2017, o Conselho de Designers de Moda da América enviou um memorando para lembrar os designers para que procurassem modelos mais saudáveis ​​e uma gama mais ampla de tipos: “A Semana da Moda de Nova York também é uma celebração da diversidade de nossa cidade.”

A única coisa a lembrar é que a maioria dos padrões históricos de beleza foram baseados em um desenho ou pintura da fantasia de um homem!

Hoje em dia, o Photoshop tem o mesmo poder.

Não podemos viver de acordo com uma obra de arte fictícia ou uma fotografia magistralmente alterada. 

Precisamos lembrar que esses padrões são, na verdade, apenas ideais temporários.

Se seu corpo não é considerado “perfeito” hoje? Quem se importa!

“Perfeito” é uma ilusão que ninguém pode atingir. Ninguém.

Portanto, seja feliz com o corpo que você tem e celebre todas as coisas que compõem o seu ser lindo e imperfeito.

Sobre o autor

Tony Carvalho

Livre.
Também blogueiro, funcionário público, produtor de conteúdo, investidor, perfumólatra e gateiro.

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